A tênue linha entre ser panfletário e ser natural #GLBTT (com @maxreinert)

Há alguns meses, numa viagem de trabalho, conversei durante o vôo com uma pessoa que vive uma união homoafetiva, mas que insiste em argumentar de modo fugidio sobre o tema. Até aí, respeito completamente seu direito à privacidade, mas quando me deparo com alguém que critica abertamente a liberdade de outros se assumirem eu fico cabrera. Não pode ser “normal” a pessoa criticar algo que está ali, visível para todos, como uma escolha de vida sua não é mesmo?

Pois pode. Escrevi para o NoGhetto um post contando de uma entrevista na Oprah da cantora country estadunidense Chely Wright. Acompanhada do pai, ela assumia sua homossexualidade e enfatizava um ponto que @maxreinert, editor do @noghetto, já tinha tratado em outros posts: a importância de se ter figuras públicas positivas nesta área. Sem me perder na discussão do certo ou errado no assumir e no possível estímulo dos jovens a adoção de uma postura sexual diferente, concentro-me aqui (como fiz no post) na importância de ser aceito como ser humano.

Chely admitia para Oprah que tinha a mesma atitude que vi no companheiro de viagem que citei no começo: criticava gays em público para evitar ser “reconhecida” por eles. Como dizia o pai da cantora, “ao invés de fechar uma porta, abra seu coração”. O pai disse que, embora ele tivesse sido criado numa sociedade que tratava a homossexualidade como um “pecado”, ao saber da filha ele pensou “eu a conheço, sei do seu coração e da sua mente, ela é uma boa pessoa”.

E foi o que eu pensei quando conversava no voo e a pessoa citou um dos meus amigos – daqueles que podiam ser descritos como “gay para apresentar à família”, de tão bem educado que foi (por uma mãe e um pai amorosos que o aceitam incondicionalmente) – criticando-o como uma pessoa que exibe seu lado gay demais.

Mas como é não exibir? Quer dizer, como se faz para não ser a gente e ser outro alguém (como Chely contou que sempre fez!) sem soar falso o tempo inteiro?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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