destaque / sustentabilidade

Estou lendo nas ultimas semanas um livro interessante que me fez entrar nas cidades periféricas da China atual. Em Deus é vermelho, de Liao Yiwu, por trás e no entremeio da história secreta de como o cristianismo sobreviveu e floresceu na China comunista, já um país habituado a maltratar seus cidadãos. E há um povo empedernido, duro, firme, que me assusta.

(preciso voltar a contar do livro, mas num texto exclusivo, podem me cobrar)

No meio da leitura, que iniciei num voo na Ponte Aérea (Rio-SP), pensei, lá do alto das nuvens, numa notícia que lera em janeiro sobre a questão da poluição do ar na China atual.

pequim sob poluição grave

As metrópoles chinesas se encontram regularmente cobertas por uma espessa neblina poluente, causada pelas indústrias, o tráfego e, especialmente, as usinas de carvão, que fornecem três quartos da eletricidade do país.

Os dados assustam e me fazem pensar no quanto desta vez, muito mais do que no silêncio sepucral da Cortina de Ferro que nos fez esquecer dos chineses durante o Maoismo, nós (e o mundo todo, vamos admitir) é responsável pelas mazelas dos chineses.

Por mais que lutemos, nós compramos produtos chineses porque estamos chegando a um ponto em que não tem jeito. Quer um exemplo: boa parte do alho que temos é chinês, sabiam? Os produtores brasileiros estão desistindo de plantar alho porque o da China é infinitamente mais barato. Do mesmo jeito, nas últimas 2 décadas, vimos áreas inteiras da nossa economia ruírem: tecidos, calçados e começamos a ver os carros chineses ganhando espaço.

 

Então a gente tem “culpa” quando o Greenpeace informa que de 366 cidades chinesas que estudou, 80% não respeitavam em 2015 as normas nacionais de qualidade do ar, diga-se de passagem “pouco severas em um país com uma contaminação atmosférica endêmica”.

Vejam que grave:

  • A China tolera um nível médio anual de 35 microgramas de partículas PM 2.5 por metro cúbico. Nenhum dos municípios estudados pelo Greenpeace em 2015 conseguiu cumprir as recomendações da OMS, que recomenda um nível máximo de 25 microgramas/m3 para 24 horas de exposição.
  • Nas cidades analisadas, a concentração média de partículas de 2,5 micrômetros de diâmetro (PM2.5) era cinco vezes maior do que o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS, micropartículas são particularmente perigosas para a saúde porque podem penetrar profundamente nos pulmões.
  • O painel inclui todas as metrópoles mais importantes, 293 cidades (80% do total) que registraram no ano passado uma concentração média de partículas poluentes acima do padrão nacional chinês, muito mais flexível do que as recomendações da OMS.
  • Pequim é a 27ª cidade mais poluída, com uma média de 80,4 microgramas/m3 no ano passado. Um declínio de apenas 3,3% ao ano, apesar de uma intensificação das medidas preventivas, incluindo o fechamento de fábricas.
  • No primeiro trimestre de 2015, Pequim experimentou 26 dias de “poluição atmosférica muito grave”. Apesar de anos de poluição crônica, uma fonte crescente de descontentamento popular, Pequim decretou o seu primeiro “alerta vermelho” apenas em dezembro, depois de registrar picos superiores a 600.
  • Não muito longe da capital, a cidade de Baoding, na província de Hebei, é a segunda mais poluída da China, com uma média de 107 microgramas/m3.
  • A cidade mais afetada, com uma média anual de cerca de 120 microgramas/m3, é Kashgar, na fronteira com o Paquistão, uma região atingida por tempestades de areia frequentes.

Pequim, 20 anos depois O escritor Ma Jian reflete sobre as duas últimas décadas de seu país em romance protagonizado por doente terminal

Não foi só Deus é vermelho que me fez pensar na China. Em 2009 eu estive na FLIP e na coletiva de imprensa conheci o escritor Ma Jian, que divulgava o livro Pequim em coma no Brasil. Se as cenas chinesas de 1989 nunca saíram da minha memória, mesmo tendo visto apenas pela TV, avaliem o que representou este romance que tem como protagonista e narrador um jovem ferido durante o massacre da Praça da Paz Celestial em junho de 1989 e que está mergulhado num coma profundo!

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Eu, que já tinha lido Cisnes Selvagens antes de morar no Oriente, sentia-me especialmente tocada por tudo que via e ouvia sobre a China. E fiquei ainda mais envolvida ao conversar com a escritora Xinruan Xue (sobre quem falei com muito carinho na época) e me voltei muito para este lugar onde parece que tudo nasceu e para onde tudo volta, o País do Meio.

Se quiser saber mais, recomendo estes livros: Pequim em coma, As boas mulheres da China, Cisnes selvagens e Deus é vermelho.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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