A princesinha medrosa

Neste sábado um evento cultural infantil promete horas de diversão para família das 15h às 17h na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, São Paulo, SP). Uma oficina criativa e contação de histórias apresentam às crianças A Princesinha Medrosa, 

“uma princesinha que tinha muito medo do escuro. E este foi apenas seu primeiro medo – depois vieram muitos outros. Eram tantos que já não havia mais o que fazer. Até o sol ficara proibido de se deitar, para que sempre fosse dia claro. Eis que, de repente, a princesinha conhece alguém capaz de lhe ensinar a olhar e a escutar as estrelas…”

Prêmio de Melhor Livro para Crianças, em 2002, concedido pela Fnlij, a obra ganhou edição revista e aprimorada (publicada pela Cosac Naify) e as belas ilustrações de Odilon Moraes, que se lançou na literatura infato-juvenil com esta obra.  Impossível não identificar comportamentos infantis neste livro pois a pequena (e aparentemente frágil) princesa usa toda autoridade e prepotência para lidar com seus maiores inimigos: os medos do escuro, da solidão e da pobreza. A sinopse conta que a estrutura narrativa lembra as fábulas clássicas e deixou nossa família com vontade de ler e saber como a pequena princesa “passa dias e dias construindo anteparos, escondendo-se nos muros do palácio para afastar tais medos, independentemente das conseqüências de seus atos”. Dizem que ela toma atitudes drásticas: o Sol fica proibido de apagar, os súditos são obrigados a dormir dentro do palácio e os trabalhadores não podem descansar.

Com toda sutileza característica das obras de Odilon, a pequena princesa não percebe que seu medo é, na verdade, do próprio medo. E, enquanto se ocupa em temer o invisível e o improvável, ela deixa escapar a própria felicidade. Eis aqui o ponto no qual, como ocorre nas obras infantis publicadas pela Cosac Naify, os adultos encontram ecos de seus sentimentos, inclusive de alguns atuais. E podemos perceber que até nós temos quem nos ensine a ouvir o sussurro das estrelas para lidar com a tristeza. 😉

Sobre o autor

Odilon Moraes nasceu em 1966, em São Paulo. Passou a infância e a adolescência no interior paulista. Talvez daí venha seu gosto por histórias simples e bem contadas, seja como escritor, seja como ilustrador, atividade que começou em 1989, antes mesmo de concluir o curso de arquitetura. Odilon desenvolve alguns projetos especiais, como o livro-objeto Ismália (Cosac Naify, 2006), criado a partir do poema de Alphonsus de Guimaraens. Na Cosac Naify coordena, com o editor Augusto Massi, a coleção Dedinho de Prosa, para a qual já ilustrou O homem que sabia javanês, de Lima Barreto, O presente dos magos, de O. Henry, e Será o Benedito!, de Mário de Andrade.

P.S. Ismália é um dos livros mais lindos que temos em nossa biblioteca e nos rende momentos ternos, servindo quase que como uma terapia. 🙂

[update] Fomos ao evento (e quase encontramos a @smiletic por lá), mas notei, com pesar, que estes compromissos já não são mais tão adequados ao Enzo… ele estava entediado de dar dó. E só quando pode ler uns livros da sua idade, depois que a contação de histórias acabou, ele se sentiu mais à vontade. Este meu tween…

Contação de histórias A princesinha medrosa por você.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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