A primeira bailarina


Na gravação do Altas Horas eu pude conhecer pessoalmente a única bailarina estrangeira que compõe o corpo de baile do Ballet Bolshoi na Rússia. Mariana Gomes, uma mineira criada na Bahia e formada pelo Ballet Bolshoi de Joinville (SC), realizou este feito há 4 anos. E ela tem apenas 21 anos!  Há que se enaltecer isso, sabem?

Quem viu o programa sabe o que vou contar aqui. (E quem não viu, pode ver trechos no vídeo abaixo)

Ela tem uma trajetória de grande sucesso, mas, como acontece com quem foge das carreiras mais populares, não tem o reconhecimento que merecia aqui, em seu país de origem. Lembrei de Ana Botafogo (e da importância que tem seu empenho para que o trabalho que desenvolve seja reconhecido pelo grande público) e igualmente de grandes nomes brasileiros – como a Bidu Sayão, cantora lírica que o Brasil descobriu quando foi homenageada pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis em 1995. Muito tempo para alguém que começou a carreira em 1926.

Além de sua simpatia, nobreza e simplicidade, me chamou imensamente atenção a postura madura da bailarina sobre a dança. Questionadas sobre o momento certo para uma criança começar a dançar, tanto ela quanto a ginasta Daiane dos Santos foram enfáticas ao afirmar que colocar a criança para um trabalho sério e direcionado aos 2 ou 4 anos não está certo. A idade recomendada por Mariana parte dos 7 anos. Antes, como gostamos eu também acredito, é hora do brincar desestruturado.

(Aliás, deixo aqui uma nota sobre a Escola de dança Pulsarte, que visitei em abril último e que não aceita crianças abaixo desta idade para aulas de dança, mantendo um curso de brincadança para os menores.)

A consciência e a percepção que ela deixava escapar, em meio aos relatos de feitos profissionais no Bolshoi, me permitiu antever a personalidade de quem sabe onde e como quer chegar. Em duas ou três histórias sobre momentos de virada que ela viveu no corpo de baile da companhia russa mostravam que ela sabe negociar, sabe arriscar e pode fazê-lo porque consegue reunir duas coisas raras: a consciência de seu valor e a força para continuar a realizar incessantemente um trabalho árduo no cotidiano.  Fui buscar notícias e imagens sobre ela e encontrei informações e fotos sobre uma das apresentações que Mariana mais gosta no post Ciranda da bailarina

Em nossa última entrevista, conversamos com Mariana Gomes, 21 anos, primeira bailarina estrangeira a ser contratada pelo Bolshoi da Rússia. Mariana continua sua coleção de conquistas. No começo de maio, ela ganhou a prata no Festival de Dança de Rieiti, na Itália, na categoria pas de deux clássico sênior, junto com o bailarino Mikhail Kryuchkov. Algumas fotos da apresentação no festival:

P.S. Neste domingo o Esporte Espetacular também veiculou uma reportagem sobre o ballet, a dureza da rotina de quem se dedica à dança e mostrou Mariana Gomes. Novamente ela reiterou sua gratidão à mãe, que a acompanhava em parte da entrevista. Indico para quem tem crianças que gostam de dançar e para quem pensa em investir a sério nesta carreira.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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