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Hoje descobri que essa esquina (união confusa de 4 ruas!) é um local histórico para o movimento trabalhista brasileiro.

A confluência da avenida Paes de Barros, rua da Mooca, rua Taquari e rua do Oratório era conhecida como Praça Vermelha. 

A Mooca foi um dos principais cenários da atividade política e revolucionária no Brasil, decorrente de sua natureza industrial. Seus habitantes, no início do século XX, eram trabalhadores imigrantes, oriundos de países com um emergente pensamento socialista. Na época, o ativismo comunista e anarquista era intenso. 

E você viu que no fundo do M tem um prédio de tijolinho à vista? É o Cotonificio Crespi, palco da primeira greve operaria do Brasil.


Foi em 1917 e essa greve acabou sendo o começo de uma onda, com a adesão dos servidores públicos, rapidamente se espalhou por toda a cidade, e depois por quase todo o país. Logo se estendeu ao Rio de Janeiro, e outros estados, principalmente ao Rio Grande do Sul. Foi liderada por trabalhadores e ativistas inspirados nos ideais anarquistas e Socialistas, dentre eles vários imigrantes italianos e espanhóis. Os sindicatos por ramos e ofícios, as ligas e uniões operárias, as federações estaduais, e a Confederação Operária Brasileira (fundada em 1906) inspirada em ideais anarquistas.

E os caras não reclamavam em vão.

Um número considerável de imigrantes italianos abandonou o regime de servidão imperante nas fazendas de café do interior paulista para trabalhar em fábricas na capital. Muitos nem foram para o interior: nas conversas da Mooca é comum ouvir histórias de italianos “ladinos” que assim que chegaram à Hospedaria dos Imigrantes (que fica na Mooca e era o ponto de chegada dos imigrantes que chegavam no Porto de Santos), “fugiam” para trabalhar na cidade, fixando-se na região.


Contam que dessa fixação no meio urbano surgiram trabalhos em precárias condições, sistema contra o qual os imigrantes reagiam, tanto pelo esquema nas fábricas, em especial a utilização massiva de mão de obra infantil e as jornadas laborais de mais de 13 horas. 

Os italianos passaram a fazer contato com grupos de ativistas libertários brasileiros, mas também espanhóis e portugueses emigrados. Juntos estes trabalhadores de diferentes origens fundaram diversos sindicatos e organizações de trabalhadores que compunham o movimento operário, lutando por direitos laborais básicos, como férias, salários dignos, jornada laboral diária de oito horas e proibição do trabalho infantil.

Tá explicado porque os mooquenses (me incluo aí!) são tão orgulhosos da região!
🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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