[desabafo] Se amamentar virasse moda mesmo, seria ótimo!

Como bem disse Michelle Prazeres, com quem fundei o Amamentar é natural, “se amamentar virasse moda mesmo, seria ótimo!”

Mas não é.

Hoje mesmo fui à nutricionista Karine Durães e na consulta contei que a pediatra da minha filha Manuela insistiu que, “agora que ela almoça e janta”, eu devo reduzir o leite materno (que ainda tenho de sobra) para não atrapalhar o apetite da bebê de 7 meses.

No consultório da médica, claro, muitos enfeites e brindes de indústria farmacêutica e de fórmulas lácteas que tentam há anos imitar o leite humano.

Já escrevi contra a divinização do leite materno. Sei que nem todas as mães conseguem amamentar por muito tempo, que o leite pode faltar, que cada caso é um, mas como #maede3, aleitados por quase dois anos no peito, garanto que “NÃO É MODA” e que a gente batalha muito para ir contra toda uma indústria e se manter fiel aos príncipios, à intuição, ao desejo de seguir a força da natureza e aleitar no peito nossos filhos nascidos no século XXI.

Eu estou absurdamente chocada!

Parece coisa de site sensacionalista ou de humor, não um portal infantil.

Vejam:

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“Tô dizendo isso porque aqui onde nasci, no Brasil, está super na moda amamentar! Então a maravilhosa invenção do leite em pó anda malvista… E nem passa pela cabeça da minha mãe – que, infelizmente, se influencia pelo o que pensa a maioria – que eu seria muito mais feliz se ganhasse, depois do peito, um pouquinho de leite em pó.”

(O texto está neste link e pode ser lido na imagem.)

Como escreveu meu marido no meu update do Facebook sobre o tema, o que devemos fazer nesses casos é deixar testemunhos verdadeiros dos resultados benéfico do aleitamento materno.

“Sou pai de três crianças. Meus dois mais velhos, hoje com 13 e 11 anos foram amamentados até próximo dos 2 anos de idade. Minha bebê, hoje com 7 meses mama e já se alimenta normalmente com comidinhas no almoço e jantar. Posso afirmar para aqueles que não tiveram a mesma experiência ou que ainda tem alguma dúvida sobre isso, que amamentar é tão ou mais importante para a vida dos bebês quanto uma gestação saudável. Eu faria inclusive uma comparação entre a amamentação e a gestação, como uma continuidade do processo de desenvolvimento. Acreditem que os resultados são maravilhosos e perfeitos. Acredito que amamentar é uma dádiva divina. Apenas para constar, criança que mama no peito tem pouca ou quase nenhuma cólica.”

E quem precisa de argumentos médicos (diferentes das que a pediatra que atendia Manu me deu, claro!), vale este comentário de Flávia Maciel, ginecologista e obstetra, fundadora do grupo Gravidinhas e Mãezinhas no Facebook:

“[texto] (…) sem NENHUM embasamento científico, em pleno século 21, quando tanto se sabe sobre os benefícios do aleitamento materno a curto, médio e longo prazo. Por favor, tenham um pouco mais de cuidado com o que postam! deve ter alguma mãe com um bebê chorão em casa que vai ler essa bobagem sem tamanho e sair correndo pra primeira farmácia e comprar uma lata de leite em pó! E depois, se o bebê desmamar, se ele tiver alergia a proteína do leite de vaca, se ele se privar de todos os benefícios do leite materno, quem vai pagar essa conta?”

Quem?

P.S. A autora do texto pediu desculpas publicamente, mas não me convenceu.

🙁

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.