A Invenção de Hugo Cabret é um presente para os fãs de Georges Mèliés

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O DVD vai para Lívia Lisbôa, que escreveu:

“Quero muito ver este filme com o meu pai. Quem melhor que o pai da gente pra mostrar que seguir um sonho implica força e flexibilidade, coragem, incentivo, uma pitada de sorte e muito encantamento? Na hora lembrei do relógio que o meu pai engenheiro fazia em casa, para nos ensinar as horas: cartolina, rolha, pêndulo… Como o pai de Hugo, o meu também tem amor aos mecanismos. O meu amor é pela arte. E, com que grande surpresa descobri, com Hugo, os primeiros filmes fantásticos do Melies, que usava de artifícios técnicos para criar a magia no cinema. Tal como as crianças do Cinesesc, eu também fiquei entregue aos efeitos do filme em 3D. Para mim, Scorsese criou uma história de amizade, que pode tornar real uma vida imaginada, colorida, cheia de sentido. Como no palco, ou na tela. A gente, às vezes, precisa rever um enredo destes, pra inspirar novamente. Profundamente.”

Parabéns!
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Uma das grandes frustrações que vivi na época do Oscar 2012 foi não ter visto A invenção de Hugo Cabret no cinema antes de toda conversa em torno do filme que homenageia um grande nome da Sétima Arte, o francês Georges Méliès. Os meses se passaram, o filme saiu dos cinemas e foi quando visitamos a exposição de Georges Méliès, o Mágico do Cinema que decidi que a gente precisava ver, em família, o filme que resgata aquela magia inocente do tempo dos meus bisavós. Você também pode adquiri-lo aqui e assisti-lo com a sua família.

Lembrei da reflexão da psiquiatra Sheila Skitnevsky Finger (do Instituto do Amor) no texto A arte de estar só para poder estar (bem) acompanhado sobre ter ficado tocada por uma das cenas na qual o pequeno Hugo Cabret oferece suas reflexões à sua nova amiga Isabelle, dizendo que do alto da torre do relógio com vistas à maravilhosa Paris, ele veio a entender que o mundo pode ser pensado como uma máquina imensa.

“Cada peça de uma máquina tem uma função – que lhe é própria e específica – e não há peças sobresalentes nas máquinas. Se há uma peça ali, é portanto porque lhe cabe uma função. Analisa assim que as pessoas também estão aqui, no mundo, na vida, por alguma razão, por algum propósito, pois não devem haver “peças sobressalentes”, ou seja, pessoas sem função… A arte é descobrir qual é o seu propósito, como contribuir e participar no maquinário do mundo.”

DVD a invenção de hugo cabret

Hipertativa e sempre animada, eu me identifiquei de cara com a ideia também, pensando não só no trabalho (trabalho invisível, mas não menos perigoso e errado ao qual as crianças do tempo de Hugo eram submetidas, ainda sem direitos e leis que os protegessem), mas na “função social” de cada personagem. Georges, Hugo, o policial e a florista, a menina e sua avó, a dona do café com seu cãozinho, o livreiro, enfim, todos são figuras que podemos transferir para nossas vidas e até para nossa interioridade, vendo cada um de nós lá no outro.

No entanto, deparamo-nos com uma imensa solidão, a vivida por Hugo e seu “robô escritor”, do guarda da estação de trem com seu cão, de Georges e seus brinquedos, do livreiro com suas estantes cheias de livros. A engrenagem que os unia pode ser a que nos une também, uma teia de interesses cotidianos, daqueles que nos fazem ter forças para acordar todos os dias e persistir na longa jornada.

E como precisamos de alguém que nos “veja” e reconheça esta necessidade humana de relacionamento para nos mantermos firmes em nossos sonhos e propósitos de vida, não é mesmo? O filme é um romance doce no qual este desejo de ser amado é atendido, não exatamente como num conto de fadas, mas como numa fábula moderna.

Se você ainda não viu o filme, vale a pena ver. E para animá-los, temos um agradinho para os leitores!

Estas são apenas algumas das reflexões que tive acerca do filme, que já revi e revi. Se você também gostou, deixe seu comentário no post ou na fanpage do blog até o dia 13/09/2012. O melhor texto sobre o significado do filme Hugo como inspiração para seguirmos nossos sonhos ganhará um DVD do filme. Ah, valem também posts no seu blog, mas precisamos que o link seja divulgado aqui como comentário, ok?

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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