A “insensibilização” coletiva tem cura?

“Pais ficaram sem seus filhos de modo não natural. Toda a sociedade deve assumir o “mea culpa” nos dois casos.”
@charlesbigfoot

Crédito da foto: reprodução de site

Hoje na hora do almoço peguei carona numa conversa que @ladyrasta @jhcordeiro @mob_igormaia estavam tendo no Twitter sobre dois casos que estão na mídia com destaques diferentes, mas que refletem o mesmo problema: a falta de segurança nas cidades. Mais, no decorrer da conversa (à qual se juntaram depois @evandrocesar @lalubr @anaaragao @bqeg) levantei o ponto que acho mais triste na história, que é o fato de, mesmo um garoto classe média alta, ter que usar um tunel interditado na madrugada para fazer manobras de skate.

Quando morei no Japão eu me admirava muito com o fato de as quadras e outros espaços nas escolas serem usados pela comunidade como área de lazer. Voluntários faziam as vezes de treinadores e promoviam atividades durante todo o dia (sim, criança precisa de guias, não dá para só abrir as escolas e largar as crianças lá como se fosse o campinho de terra no terreno baldio do bairro de antigamente).

E por falar em escola, o papo começou (fui ver para entender) com a indignação da Flávia sobre o destaque que se deu para o caso do atropelamento e o pouco caso que se fez com o menino baleado em classe. Os irmãos feridos pelo padrasto em Embu também perderam espaço, mesmo sendo um caso terrível.

“Eu acho muito mais relevante um aluno morrer dentro da sala de aula do que um atropelamento. Você não?”

Entrei no papo porque acho ambos tristes sintomas de uma sociedade que não sabe para onde dirigir seus esforços. Sabe quando sua casa fica tão, mas tão bagunçada (tipo depois de uma mudança ou de uma mega festa) que você olha e não sabe nem por onde começar para arrumar? Nem para para dar ordens à arrumadeira você consegue reagir sem antes avaliar bem o que está lá, o que pode ser jogado fora, o que é frágil e precisa de cuidados especiais, o que é dispensável e pode ser descartado, o que estragou e precisa ser consertado ou reciclado.

Precisamos reciclar nossa visão acerca destas tragédias urbanas! A advogada da nossa thread (debate online) aludiu à falta de condições do Estado em assumir suas funções (ainda mais no Rio, quem conhece bem a cidade ou pelo menos viu filmes recentes como Meu nome não é Johnny e Tropa de Elite entende) e eu concordo que a partir do momento em que o Estado não entra ali, há outro estado exercendo poder – e isso cria conflito.

É verdade, não importa o que se faça, sempre haverá atropelamentos e que muitos países não vivem em guerra civil… e os que não vivem em guerra civil fazem sua parte, reagem e não admitem que sua vida (não só sua timeline do Twitter, com quem dá unfollow em quem fala de coisas sérias, ou sua TV, como quem muda de canal quando o tema fica chato e politizado) seja guiada por quem não está nem aí para o “futuro da Nação”.

E você, ainda se sensibiliza e quer pensar coletivamente em como fazer do País um lugar melhor?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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