A importância da inclusão digital das avós

Como muitos de nós, os “idosos” demonstram vitalidade para aproveitar o presente, para aprender coisas novas, projetar metas futuras, buscando boa qualidade de vida, mantendo uma vida produtiva e efetiva.

Neste domingo eu fiquei fugindo do sol na piscina do clube ao lado de uma senhora que cuidava da netinha. Conversa vai, conversa vem, ela, que se converteu há pouco para o evangelismo, começou a me falar das suas preocupações sobre pedofilia, compras virtuais e troca de informações pessoais na internet. Animada ela contava que compraram em 2009 um computador para a neta de 11 anos – para ela poder usar nos estudos – e eu lhe questionei se ela mesma sabia usar o computador e a internet. A resposta foi um sonoro não.

Embora a realidade dos avós dos meus filhos seja diferente (exceto pelo meu pai, que insiste em ser um excluído digital por opção), a visão que eles têm da vida virtual está longe de ser a necessária para acompanhar uma criança digital. E aí eu faço coro com quem defende a inclusão digital como algo familiar, não individual, uma opção que deve ser feita por todos os membros da família de modo que se torne um tema natural nas conversas familiares, todos falem a “mesma língua” e com isso os pais e os avós (porque as avós muitas vezes são as responsáveis pelas crianças no cotidiano) poderão efetivamente acompanhar o desenvolvimento dos filhos.

Quando falo disso com pessoas mais velhas, elas me perguntam: mas o que eu vou querer no computador? Ora, tanta coisa! Uma pesquisa antiga do DataFolha (de 2007) já mostrava bons motivos: 300 pessoas acima de 60 anos usuários de internet foram indagados sobre o uso da internet e deste grupo 98% das pessoas acreditam que é um ganho para suas rotinas. Na época 77% dos entrevistados apresentavam como uso comum a leitura de notícias e troca de e-mails. E tem muito mais, como contei no post Vovôs usando a internet no Jornal Nacional.

Além da informação, há bons motivos para se incluir digitalmente. Quem nunca se embaraçou no caixa eletrônico ou com o manuseio do novo DVD, celular, eletrodoméstico, brinquedos dos filhos e netos, uso da internet para pagamento de contas, compra e venda de produtos, etc… E especialista Elisandra Vilella G. Sé defende a teoria de que a inserção rápida de jovens no mundo informatizado pode ser uma alternativa para sociabilizar os idosos com a tecnologia através das relações intergeracionais. “Em qualquer faixa etária a inclusão digital traz benefícios, tais como, informação rápida, aquisição de novos conhecimentos, atualização de conhecimentos gerais, ampliação das redes de relações, sociabilidade, conectividade com a contemporaneidade, melhoria da auto-estima e auto-eficácia”, explica. Mas o acesso da população idosa na era digital possibilita a manutenção de seus papéis sociais, do exercício de cidadania, a autonomia, o acesso a uma sociedade dinâmica e complexa, mantendo a mente ativa.

Há algumas iniciativas boas. A ONG Cidade Escola Aprendiz criou o programa OldNet para estimular a convivência entre jovens e idosos tendo o computador como instrumento de mediação. Nele voluntários de escolas públicas e particulares ensinam pessoas da terceira idade a utilizar o computador e a navegar na internet. Nesta semana a Fundação Casper Libero lançou o Portal da Terceira Idade, que tem um design simples e interativo, com a vantagem de ser auto-explicativo, apresentando quadros com passo a passo a ser seguido para realizar uma determinada tarefa no computador.

Na internet alguns blogs, como o Tecnologia Outonal, dão dicas para quem já está iniciado e quer se aprimorar. E com certeza na sua família tem um idoso ansioso por saber mais e um(a)  jovenzinho(a) que terá orgulho de ensinar a alguém mais velho. Que tal fazer esta experiência?

P.S. Outra iniciativa muito valiosa da OldNet é o registro de memória, que realiza entrevistas com os idosos, coletando suas histórias, fatos e momentos vividos, que é um ótimo motivo para os avós usarem a internet, o registro da história e a possibilidade de comparitlhar conhecimento e experiência de vida.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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