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Não sou uma pessoa super tatuada, apesar de achar lindo, mas creio que é só porque eu não consigo me decidir sobre o que eu gostaria de ter estampado para sempre na minha pele.

😉

No entanto, o tema me interessa porque acredito ser uma tradução cultural. Neta de japoneses e tendo morado no Oriente, onde trabalhei como jornalista em Tóquio, eu aprendi que tatuagem diz muito sobre quem somos e com quem queremos ser identificados.

E eu tinha curiosidade de saber como a coisa chegou e vingou aqui no Brasil.

Descobri que a pesquisadora Silvana Jeha, bolsista do Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes da Biblioteca Nacional (PNAP-R), teve a ideia de pesquisar sobre a história da tatuagem no Brasil, produzindo a tese “Os marujos e recrutas da Armada do Império do Brasil“.

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Doutora em História pela PUC-Rio (2011), onde defendeu a tese A galera heterogênea: Naturalidade, trajetória e cultura de recrutas e marinheiros da Armada Nacional Imperial do Brasil, c. 1822 – 1854. No mestrado, estudou as chamadas guerras justas contra botocudos e kaingangs no século XIX. Realizou diversas pesquisas textuais e iconográficas para o mercado editorial, bem como redação de livros de divulgação. Trabalhou com temas relacionados a presidiários e publicou dois artigos sobre marinheiros, um deles acerca de diários de marujos norte-americanos no Rio de Janeiro no século XIX. Em um CD-ROM da FIOCRUZ, publicou um artigo sobre a história de um barbeiro sangrador congolês e sua família no Rio de Janeiro oitocentista, que sairá em livro este ano.

A Yakuza usa a arte da tatuagem como marca registrada, e o corpo todo deve ser coberto de tinta. Como o grupo exige lealdade, a tatuagem é a maior prova de dedicação. Há tempos atrás, japoneses ao ver pessoas tatuadas, já identificavam como integrantes da Yakuza, isto não só para os japoneses, mas estrangeiros tatuados eram vistos como pessoas ligadas ao crime.

A Yakuza usa a arte da tatuagem como marca registrada, e o corpo todo deve ser coberto de tinta. Como o grupo exige lealdade, a tatuagem é a maior prova de dedicação. Há tempos atrás, japoneses ao ver pessoas tatuadas, já identificavam como integrantes da Yakuza, isto não só para os japoneses, mas estrangeiros tatuados eram vistos como pessoas ligadas ao crime.

Como na terra dos meus avós, onde tatuagem estava ligada à yakuza (máfia), na história da tatuagem no Brasil, e em diversos países, até a década de 1980, a tatuagem é ligada a grupos marginalizados e não há registros sistematizados fora dos arquivos médicos e policiais – presídios, manicômios e institutos médico-legais. Daí a ligação da pesquisadora com a Biblioteca Nacional, onde teve acesso a muito material que reuniu no estudo.

O desafio principal da tese de Silvana é apresentar a tatuagem como um traço da cultura popular do Brasil nos últimos dois séculos.

E como tem história informal!

Quer saber quais são os principais grupos de tatuados no Brasil antes da popularização da tatuagem no ocidente, a partir da década de 1970? São indígenas, africanos, imigrantes sírio-libaneses, japoneses, portugueses, prostitutas, trabalhadores, religiosos, marinheiros, soldados, prisioneiros, usuários de manicômios e personagens únicos.

Quer saber quais são os principais grupos de tatuados no Brasil antes da popularização da tatuagem no ocidente, a partir da década de 1970? São indígenas, africanos, imigrantes sírio-libaneses, japoneses, portugueses, prostitutas, trabalhadores, religiosos, marinheiros, soldados, prisioneiros, usuários de manicômios e personagens únicos.

No período do século XIX, Silvana Jeha levantou centenas de anúncios de fugas de escravos para entender quais eram as escarificações (incisões superficiais na pele) que marcavam os indivíduos das diversas sociedades africanas que vieram para o Brasil. No final desse século, a partir de uma crônica de Machado de Assis publicada na Gazeta de Notícias, baseada em uma notícia de assassinato cujo suspeito era tatuado, ela reconstituiu a cena do crime, bem como as diversas informações do possível assassino, pesquisando em notícias de quatro jornais. Mas nem só nos periódicos estão os tesouros. No acervo iconográfico há diversas gravuras de escarificações de africanos, inclusive do século XVIII. Entre os manuscritos, encontrei o famoso texto “Tatuagem no Rio”, de João do Rio, que pode ser lido no original através da BNdigital. E no acervo de Obras Gerais consultei preciosidades bibliográficas da primeira metade do século XX.

🙂

Jornalista e blogueira, já pensei se no futuro as nossas fotos de Instagram, Facebook e posts de blog não serão um registro da história informal do começo deste século XXI. Seria legal, não? De certa forma, hoje todos somos historiadores, produtores de conteúdo, responsáveis pela manutenção de um acervo variado de cultura popular e de massa, concordam?

P.S. Quer ir além? No acervo da Biblioteca Nacional tem algumas referências interessantes sobre o assunto.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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