Dica de filme: A felicidade de Margô

“Os textos do Dráuzio [Varela] retratam cotidianos de personagens pouco abordados. O olhar dele é de humanizar, de achar algo vivo nessas trajetórias tortuosas. Isso sem dúvida é algo que seduz pra ser filmado”, conta Maurício Eça, diretor do longa A felicidade de Margô.


Com roteiro escrito especialmente para o edital da do Programa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) Audiovisual no Polo do Brasil, que tem como missão o estímulo ao intercâmbio cultural, o filme chega simultaneamente nos países da CPLP.

 

O filme que cito ganhou um dos concursos nacionais de seleção de projetos de documentários e telefilmes de ficção. Através dele, pessoas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste conhecerão o Brasil atual.

O Programa CPLP lançou as bases para a difusão da produção audiovisual dos países de língua portuguesa no mercado mundial e pretende fomentar a produção e a teledifusão de conteúdos audiovisuais nos estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, através da realização de concursos nos países lusófonos.

Tenho uma simpatia grande por esta reunião de países a partir do que têm de tão forte em comum: o idioma. No nosso caso, a cultura também, pois somos um tanto portugueses por conta da colonização e temos uma “africandade” grande pela presença do seu povo em nossa construção histórica desde praticamente a fundação do Brasil.

Tenho uma curiosidade enorme de visitar os países africanos que falam português. Tenho amigos e parentes que têm ido à África, mas visitam o óbvio turístico: Marrocos e África do Sul. Talvez por ter tido uma colega de escola moçambicana (aos 14 anos, convivi bastante com Farah, filha de um exilado político) e por ter sido correspondente de uma revista para falantes de português no Canadá, me envolvi muito com a cultura africana lusófona. E vejo muito do Brasil neles e deles em nós!

Apesar do que os portugueses pensam (vejam o vídeo abaixo), temos um papel que se destacará em pouco tempo, concordam? Nele o presidente do Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL) defende que Portugal é um dos países que mais tem a ganhar com a CPLP.

Interessante, né?

E sobre o filme. É um retrato recente do Brasil, daquelas visões que o autor de Estação Carandiru nos dá, da realidade crua, mas nunca desprovida de humanidade e fé na vida – se você não leu, deveria, até meu filho estudou para escola.

A crônica A felicidade de Margô foi publicada em janeiro de 2015 no site de Dráuzio Varela e retrata a realidade diária de diversas travestis e transexuais que são reprimidas e criminalizadas antes mesmo da vida adulta. Margô, a personagem principal, é mais uma dentre tantas que tentam a vida longe da prostituição mas sempre encontram empecilhos pelo caminho, sendo a violência o mais recorrente.

O texto está disponível aqui.


Maria Clara Spinelli é quem interpreta Margô. A atriz, que é transexual, foi escolhida pensando na representatividade do papel.

Saiba mais: facebook.com/afelicidadedemargo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.