A escritora mais simpática e meiga da FLIP

#flip2009 por você.
Momento fã na FLIP 2009: além de tirar foto para registrar o momento, pude trocar algumas palavras e cartões com uma das principais escritoras do evento. Honra imensa.

Nas coletivas de imprensa de quinta-feira vivi uma situação inusitadissima e inédita na minha vida como jornalista. Vou tentar descrever a cena: um grupo de profissionais de mídia está reunido em determinada sala de conferência para entrevistar coletivamente uma figura – e nisso já supomos que seja uma pessoa importante em sua área, não? Geralmente quando isso acontece a pessoa mal chega e os assessores ficam em cima, como guarda-costas, criando uma redoma protetora.

Neste dia fui para as coletivas pela manhã para ver Dawkins e Gay Talese. Meu foco eram os escritores chineses, que – não sei bem por que – seriam os únicos entrevistados em dupla. Já a caminho da coletiva encontrei-os numa livraria e não resisti, fiz daquelas “fotos de paparazzi” que já me deixaram feliz e orgulhosa.

flip20093 ma jian xinran

Então, voltando à coletiva: a jornalista Xinran chegou à sala e, ao ver que ainda tinhamos tempo – vergonhosamente os colegas não tinham ainda voltado do almoço, mesmo já sendo 15h -, começou a entregar um marcador de livros e um cartão pessoal para cada um dos presentes. Não bastasse isso, ela o fazia de modo fino, humilde e delicado, apresentando-se e explicando que o marcador era de um dos seus livros – como se os presentes não soubessem quem ela era. Agradeci, pedi para tirar uma foto com ela e engatamos numa conversa animada sobre seus sapatos lindos e praticamente artesanais.

flip 2009 sapatos chineses artesanais de xinran

Depois, durante sua fala na coletiva, entendi que ao agir com espontaneidade acabei provando para ela que sua técnica de abordagem com as mulheres chinesas do interior funciona também com mulheres ocidentais de cidades grandes. Xinran contou que nas viagens para pesquisa sobre a realidade das mulheres chinesas, que resultou no livro As boas mulheres da China, ela só começou a trocar idéias com as mulheres locais quando um dia, por equívoco, saiu com o rosto levemente borrado de maquiagem. Uma mulher a chamou e avisou. Assim começou um método que ela usa até hoje: sempre deixar uma pequena falha na maquiagem (ou na manicure, como ela fez para vir ao Brasil, pintando uma só unha com cor diferente) como “deixa” para que as pessoas puxem assunto com ela.

Como Gay Talese, Xinran mostrou que antes da pesquisa em campo e do texto impecável – tanto ela quanto Talese, ambos jornalistas, são excelentes neste dois quesitos – é preciso estar aberto para o contato com o outro. E a escritora chinesa estava sinceramente comprometida com a idéia de trocar, aprender e conviver tanto quanto fosse possível conosco neste curto período no Brasil.

P.S. Sobre a mesa Pequim em coma, tema que ainda quero esmiuçar aqui, há um texto bom aqui.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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