A Dama de Ferro (por @lindote)

A semana começou com um convite para ver um dos filmes que mais aguardava no cinema: A Dama de Ferro. Foi com dor no coração que disse não à querida Ale Fêlix que, super gentilmente, dizia no convite que estava chamando para a sessão “mulheres fortes” como a personagem (e, eu acrescento, a atriz que a interpreta). Diante da minha recusa ela me deu a chance de enviar um representante do blog e acabei tendo dois jornalistas amigos indo ao local em nome do @avidaquer: Tiago Cordeiro (@tcordeiro) e Isabele Lindote (@lindote).

O review do filme que publico abaixo é um texto da Isa e faço votos de que deixe vocês com tanta vontade de ver o filme quanto eu fiquei!

“Antes de falar sobre “A Dama de Ferro” é preciso dizer que Meryl Streep sempre vale o ingresso. E sua atuação no longa de Phyllida Lloyd reforça ainda mais essa certeza. Brilhante, a atriz transpõe para a tela uma Margaret Thatcher pungente em cada detalhe: do sorriso meio torto ao gestual da ex-primeira-ministra da Inglaterra, está tudo lá.

Como obra cinematográfica, “A Dama de Ferro” não é um grande filme. Contudo, é perceptível a preocupação em fazer com que a vida de Thatcher seja entendida como a história de uma mulher forte, que superou barreiras muito maiores que a si mesma. Nascida em 1925, filha de um comerciantes humildes, o longa mostra uma Margaret obstinada em fazer a diferença no mundo desde a juventude – e não se pode negar que seus pouco mais de 11 anos de governo (1979-1990) marcaram a história do planeta.

Mesmo quando não temos certeza se ela estava certa ou errada em suas atitudes, ela vencia. E para chegar lá, mudou a forma de se vestir, de se pentear e de falar, aderindo assim aos conselhos de quem acreditava que conseguiria seus objetivos. Apesar de ter se casado jovem e apaixonada, o matrimônio foi de fundamental importância para que ela chegasse ao governo. Sua vida foi marcada por homens que entendiam e apoiavam suas ideias, e sem esse apoio dificilmente Margaret Roberts teria se tornado Margaret Thatcher, uma das mais controversas figuras da política mundial.

Acredito que um dos méritos do filme é buscar o não-julgamento de suas atitudes. Na velhice, vemos uma Thatcher perdendo o controle de sua mente enquanto conversa com o marido morto e tenta o um entendimento com os filhos gêmeos. Enquanto isso, os momentos mais difíceis de seu governo são transmitidos para o espectador como lembranças de alguém que sente saudades do que foi. Não se trata, portanto, de um filme histórico, mas atiça a curiosidade de quem não conhece a história desta mulher forte a ponto de dobrar um Congresso exclusivamente masculino em meados do século passado.

Não à toa, Meryl Streep recebeu o Globo de Ouro e o Bafta de melhor atriz pelo filme, além de concorrer (como favorita) ao Oscar deste ano. É sua 17ª indicação e será seu terceiro prêmio se ganhar a estatueta no dia 26 de fevereiro. Será também a coração de um ano emblemático em sua carreira formada por personagens marcantes, que lhe renderam o Urso de Ouro honorário no último dia 14, no Festival de Berlim.”

Isabelle Lindote é jornalista, com formação em produção cinematográfica, e blogueira de TV e gastronomia.Escreve nos blogs Máquina de Fazer Doido e Aventuras Gastronômicas.

A Dama de Ferro (The Iron Lady). Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard E. Grant, Harry Lloyd, Anthony Head, Richard E. Grant, Roger Allam, Olivia Colman, Susan Brown. Direção: Phyllida Lloyd.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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