Classe C, esse brasileiro quer sonhar e não apenas diminuir seus pesadelos

“Analistas, líderes partidários, comunicólogos e marqueteiros já se esforçam para entender como atuará, diante das urnas, esse segmento que, ao subir, fez da classe média o maior grupo social do País, com 94 milhões de pessoas (51% da população).”

Todo mundo está de olho na Classe C. Novidade nenhuma né? Pois artigo de Lilian Cunha no Valor Econômico fazia uma distinção entre dois grupos dentre estes consumidores que despontam como os que mais giram a economia: C1 e C2, segmentos da mesma classe social que são diferentes entre si em termos de comportamento de consumo.

De acordo com levantamento da Nielsen que pesquisou hábitos dos consumidores da classe média em 8,7 mil lares, mais de 50% da classe C decide comprar por preço e promoção. Famílias com renda média de R$ 1.391 são C1, representando  46,5% do total da classe C. Já a C2, 53,5% do grupo, tem renda média de R$ 933 e corresponde aos brasileiros que ascenderam da classe D. A diferença de renda não parece tão grande, mas a mudança de foco na hora de comprar é significativa: enquanto C2 faz compras picadas, orientadas por preço e promoção, C1 procura variedade de marcas e costuma ir ao supermercado uma vez a cada quinze dias. Diferenças menos sutis são demonstradas nos bens: 44% dos lares C1 têm carro, contra apenas 10@ dos lares C2. O uso da internet em casa é comum em 41% dos lares C1, contra apenas 18% das famílias C2.

Se você está fora desta faixa de consumo, pode perguntar: e que diferença esta segmentação faz para meu cotidiano? Se somos empresários, em algum ponto este comportamento de consumidores de diferentes dentro da classe C vai afetar nosso negócio. Se não somos, como consumidores colheremos os frutos do acerto ou do erro do varejo ou da indústria que, se não notarem esta diferença, podem deixar insatisfeitos tanto um quanto outro grupo.

E por que não ficar de olho neste grupo? No mínimo, é deles a decisão sobre o futuro político do Brasil. A “nova classe média” foi trazida ao centro do debate político pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e há muito é namorada pelo PT que analistas afirmam ver na presidente Dilma Rousseff a pessoa adequada para conquistá-la. Quem acompanhou o imbroglio– que ganhou força com o artigo de FHC O Papel da Oposição – sabe que muitos políticos desejam conquistar este público, um vasto universo de 29 milhões de pessoas que, nos últimos seis anos, subiram da classe D para a C e carregam consigo novos comportamentos e expectativas.

E o detalhe é que “não se trata de gente sem nada, que aceite qualquer coisa. É gente que trabalhou duro, subiu, sabe o que quer, tem mais informação e se torna mais exigente“, ja afirmou (no Estadão) Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope. O economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas – segundo o mesmo jornal, o primeiro a detectar esse fenômeno, num estudo de 2010 – segue a mesma linha de anuência ao movimento político em direção à Classe C, reiterando que “esse brasileiro quer sonhar e não apenas diminuir seus pesadelos“.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook