A caminho de uma epidemia? Quase 30% da população de São Paulo é considerada obesa!

“Apesar do crescimento econômico do Brasil e da melhora do poder aquisitivo da população, a alimentação de 90% dos brasileiros é rica em produtos calóricos e de baixo teor nutritivo. Essa foi a conclusão da Análise de Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).”

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Li logo cedo dados que me lembraram algumas conversas que tenho acompanhado num grupo de nutrição infantil no Facebook. Ao perceber tanto a preocupação de pais e mães com a boa alimentação de seus filhos quando a desinformação em geral sobre como alcançar este equilíbrio no cotidiano, tenho ficado assombrada. Ao conversar sobre boa alimentação noto um grande desconhecimento de preceitos básicos e uma visão (muitas vezes seguida de prática) baseada no achismo e no “ouvir falar”. Poucas pessoas se aprofundam, embora muitas tenham firme opinião sobre questões relacionadas à alimentação saudável e equilibrada.

Para se ter uma ideia, apesar de tão propagado, o consumo de frutas, verduras e legumes está muito abaixo do padrão preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nem 10% da população consome os 400 gramas recomendados. Mais de 60% dos brasileiros consome quantidade de açúcar superior à recomendada pelo Ministério da Saúde (10% da ingestão total de calorias diárias) e pelo menos 82% da população ultrapassa o consumo ideal de gordura saturada, a que aumenta o colesterol ruim (7% da ingestão total de calorias diárias).

Mas, voltemos à obesidade na cidade de São Paulo. Os números que cito no título do post são provenientes de avaliações feitas com 15 mil pessoas em pesquisa de profissionais do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Coração (InCor), que chegaram à conclusão de que 29% das pessoas que circulam por São Paulo são obesos.

Veja os números com detalhamento:

  • A iniciativa do Programa Meu Prato Saudável envolveu 12,1 mil mulheres e 3,9 mil homens.
  • A análise nutricional mostrou que deste universo 19% tinham obesidade grau 1 (forma mais leve), 7,2%, obesidade grau 2 e 2,7%, obesidade grau 3 ou obesidade mórbida.
  • 37,4% dos participantes da pesquisa tinham sobrepeso, totalizando 66,4% de pessoas acima do peso ideal.
  • Entre as mulheres, 35,8% estavam com sobrepeso e 30,1% eram obesas, totalizando 65,9% acima do peso considerado ideal.
  • Entre os homens havia 44,2% com sobrepeso e 23,9% obesos.

A avaliação foi feita durante o último trimestre de 2012 em mutirões de promoção da saúde promovidos em estações do metrô, no Parque Ibirapuera e no chamado Quadrilátero da Saúde, onde fica o complexo do HC-FMUSP. A propósito dos resultados, Mirian Furtado, nutricionista do Programa Meu Prato Saudável, afirmou em entrevista que o resultado indica que as pessoas estão mais sedentárias e se alimentando mal, fatores principais para gerar a obesidade.

E tem mais, lembra a nutricionista:

“As facilidades que as pessoas têm, como o carro, a escada rolante, elevador. Os alimentos gordurosos, a falta de tempo para almoçar e os hábitos errados contribuem”.

Como detectar o sobrepeso?

O sobrepeso ocorre quando o Índice de Massa Corpórea (IMC), relação entre peso e altura, vai de 25 até 29,9. A partir de 30 de IMC, a pessoa é considerada obesa.

Qual o significado destes dados?

A obesidade pode gerar diversos problemas de saúde. Além de problemas respiratórios, há o risco de doenças crônicas. Isso não quer dizer que o obeso necessariamente vai ter uma doença, mas que essas pessoas estão mais predispostas a isso, especialmente a doenças como diabetes, hipertensão, colesterol elevado e outras doenças cardiovasculares.

Saiba mais:

O Programa Meu Prato Saudável tem o objetivo de mudar os hábitos alimentares sem obrigar a pessoa a muitas restrições. A ideia é orientar a população sobre como se alimentar no seu cotidiano de forma saudável. A recomendação da nutricionista é que os prato sejam equilibrados. “O ideal é dividir metade do prato com vegetais variados no tipo e cor. Para a outra metade, um quarto de carboidratos [arroz, batata, massas] e o restante proteína vegetal e animal [grãos, carnes ou ovo]”.
A meta do programa é alcançar toda a população brasileira até a Copa do Mundo de 2014. A iniciativa será levada a outros estados brasileiros, como o Rio de Janeiro e para isso o projeto também está no Facebook e Twitter (@pratosaudavel).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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