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O filme “A Livraria” (que estreia hoje e que o @avidaquer foi conferir, em primeira mão), traz Hardborough – uma cidadezinha pacata, friorenta, cinza, sem atrativos, em 1959. A viúva Florence Green (vivida pela atriz Emily Mortimer) é uma apaixonada por livros, dessas pessoas que cheiram as folhas, buscam novos autores e criam prateleiras para os exemplares como quem procura um lugar pra morar. No caso de Florence, ela decide fazer as duas coisas, ao reformar uma antiga casa que estava há muito tempo abandonada: ocupar um imóvel para chamar de lar e, ao mesmo tempo, abrigar seu novo negócio: a livraria.

Ninguém na cidade (ou quase ninguém) parece ter tempo ou gostar de ler. Mas, depois de inaugurado, o estabelecimento chama a atenção e parece ser um sucesso. Até que Florence não pode mais ignorar que há gente influente um tanto descontente com os seus planos…

Baseado no romance de Penelope Fitzgerald, o filme é dirigido por Isabel Coixet e foi premiado pelo cinema espanhol. Isabel dirigiu “Minha vida sem mim”, uma história comovente (recomendo muito!), também adaptação de um romance.

 

“As pessoas se arriscam todos os dias. Oportunidades grandes e pequenas, seguras ou perigosas: e muitas delas passam despercebidas. Mas o que acontece quando essas oportunidades SÃO percebidas? E como isso se reflete no mundo em que todos nós vivemos hoje?” indaga Isabel.

 

Violet Gamart (Patricia Clarkson) é a anfitriã dessa festa da foto. Ela representa a elite da cidade – tia de político, amiga de advogados e banqueiros – e almeja um outro destino para a “old house”. Ela quer um centro de artes. Mas, por enquanto, a casa tem que ficar abandonada mesmo, até que o poder público a desaproprie em prol da “coletividade”. A ingenuidade e personalidade sonhadora de Florence, somada à sua constante recusa em, voluntariamente, aderir aos recados e manobras sutis de Violet, estabelecem o conflito dramático.

Há outros focos propostos pela narrativa (e você pode decidir vê-lo, também, pela incrível direção de arte que o trailer já antecipa), mas eu gostaria mesmo é de salientar a relação entre as personagens femininas do título. Porque este é um exemplo clássico da rivalidade entre as mulheres, combustível de tantas histórias! Duas mulheres cheias de poder, cheias de iniciativa, cada uma à sua maneira. Mas que se veem impelidas a antagonizar – quer pelo sistema em que estão inseridas, quer pela omissão dos homens que as rodeiam, quer por um coletivo que não encontra mecanismos para manifestar suas necessidades apropriadamente.

A grande esperança vem pelos olhos daquela menina da primeira foto: Honor Kneafsey encanta o espectador cada vez que aparece como Christine, a esperta ajudante da livraria. Pouco a pouco, ela se torna uma figura que despertará o lado maternal de Florence. E, se, no início, o dinheiro do pagamento era o principal motivador, com o tempo, Christine indaga os frequentadores, passeia pela casa e descobre o acervo como se fosse, também, uma proprietária do local. Ela vê as caixas com “Lolita” (de Valdmir Nabokov) e com “Fahrenheit 451” (de Ray Bradbury) chegarem, ela vê a comoção que isso causa na conservadora sociedade local, ela vê as forças agindo e sofre os efeitos dela. De olhos bem abertos, até que possa escrever sua própria história, segundo os valores que está cultivando. Ela também será uma futura mulher cheia de poder e iniciativa, à sua maneira!

E aí é bonito de ver a sororidade possível entre as mulheres. #imaginajuntas

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Lívia Lisbôa

Jornalista, atriz, dona de uma casa que tem uma estante cheia de livros, porque gosta da companhia deles. Canta no chuveiro, só faz bolos quando está feliz e mora na Praça da Árvore de uma cidade que é conhecida por ser a Selva de Pedra.

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