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Se você, como eu, começou a repetir o refrão de Satisfaction antes de entender direito o que dizia, vai se surpreender com o tamanho da polêmica em torno deste que não só é o maior sucesso dia Stones, quanto uma das canções mais regravadas e um hino de rebeldia e insatisfação adolescente.

A canção completa 50 anos mantendo muita gente jovem e perpetuando os “valores contestadores” da década de 1960 e da mudança de comportamento sexual.

O personagem da música é um rock star viajado que no fundo só quer transar com a garota. Mas ela o dispensa dizendo “Baby, melhor voltar na próxima semana, porque eu estou numa fase ruim” (em inglês “on a losing streak”, expressão usada no mundo esportivo para se referir a uma sequência de derrotas em jogos). A referência à menstruação, no entanto, é inevitável, e não é difícil imaginar a cara dos adolescentes ouvindo a música na época. 

  
Olhem a tradução de trecho final de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones Mick Jagger e Keith Richards.

Quando estou viajando ao redor do mundo / Fazendo isso e assinando aquilo / E tentando pegar alguma garota / Que me diz ‘Baby, é melhor você voltar, talvez, na próxima semana / Porque eu estou numa fase ruim 

Há quem enxergue em “Satisfaction” um reconhecimento involuntário do poder feminino por parte de Jagger – o mesmo que um ano depois seria acusado de misoginia pelas faixas “Under My Thumb” e “Stupid Girl”.

Mas há desacordo. Uma pesquisadora da Universidade de Virginia, em Charlottesville classifica Satisfaction como o típico exemplo de “cock rock”, subgênero musical dos EUA conhecido por letras e atitudes machistas em relação à mulher. 

Para Stephanie Doktor, que defendeu uma tese de mestrado sobre inúmeras versões de “Satisfaction”, cantadas por artistas masculinos e femininos, a música “contém todos os ingredientes” de “machismo e sexualidade agressiva”.

  
Eu continuo achando que a música vale pelo Riff e isto basta. Desde que comecei a estudar inglês, aos 11 anos, tenho feito um exercício de dissociar letra e melodia porque pouca coisa se salva quando queremos reunir o melhor dos dois!

(risos)

E como explica Dan Goodman, é o riff que nos prende! 

“‘Satisfaction’ é o arquétipo da canção de riff. E riffs são uma coisa tão eficiente hoje quanto nos primórdios da música gravada, mesmo antes disso. [O riff] Permite que você prenda a atenção do ouvinte com algo diferente logo no comecinho da música.”

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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