4 décadas do desenvolvimento industrial brasileiro por um de seus famosos fotógrafos publicitários

Fã do mercado publicitário ou critico ferrenho dele, uma coisa é certa: ninguém passa ileso ou sem ser impactado com as imagens preparadas para vender.

Mas você já pensou na fotografia como ferramenta para o registro e a visualização dos objetos da sociedade industrial?

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A exposição Flieg fotógrafo. Indústria, design, publicidade, arquitetura e arte na obra de Hans Gunter Flieg, que reúne no MAC SP 160 fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles, tem esta proposta.

Ao longo de quatro décadas, Flieg registrou o desenvolvimento industrial brasileiro, além de ter documentado o design, a arquitetura e a publicidade no país entre os anos de 1940 e 1980. Fotografou instalações industriais, edificações e objetos que registram esse período, como as imagens de empresas como Willys-Overland, Mercedes-Benz e Marcas Famosas S/A, pioneiras da indústria automobilística no Brasil. Registrou também estandes de grandes indústrias em feiras nacionais, como o da fábrica de calçados Clark na exposição comemorativa do iv Centenário de São Paulo, em 1954, e o da Mercedes-Benz na Exposição Internacional de Indústria e Comércio, no Rio de Janeiro, em 1960.

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Flieg fotografou para grandes agências de publicidade do período, como Standard e Thompson, participando também do 1º Salão Nacional de Propaganda, realizado no Museu de Arte de São Paulo em 1950. No ano seguinte, atuou como fotógrafo oficial da 1a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, organizada pelo MAM-SP. Essas fotografias compõem um importante registro das artes plásticas em São Paulo, como é o caso da escultura Unidade tripartida, do artista suíço Max Bill (1908-1994), hoje integrante do acervo do MAC USP. Além da primeira edição da Bienal, Flieg documentou o circuito das artes do período, incluindo a construção da sede do Masp na Avenida Paulista na década de 1960.

Quem não pode vir ou gosta mesmo do tema pode comprar o livro que o Instituto Moreira Salles lançou: Flieg. Indústria, arquitetura e arte na obra de Hans Gunter Flieg, 1940-1980: fotografias de Flieg, textos de Sergio Burgi, curador da mostra, e de outros autores convidados, como Lorenzo Mammì, Eucanaã Ferraz e Ludger Derenthal.

E quem pode ir ao MAC USP Ibirapuera, reforço nos detalhes: o museu fica na Av. Pedro Álvares Cabral, 1301, a entrada é gratuita e está aberto às terças-feiras, das 10h às 21h, e quarta a domingo, das 10h às 18h, de 21/09/2014 a 20/02/2015.

Curiosidade: Fileg é um dos presentes que o Brasil ganhou com sua neutralidade e a demora em assumir posição na Segunda Guerra Mundial. Nascido em 1923 em Chemnitz, Alemanha, Hans Gunter Flieg emigrou para São Paulo com seus pais e seu irmão em 1939, no início do conflito. Flieg havia estudado fotografia com Grete Karplus, fotógrafa do Museu Judaico de Berlim. Ao vir para o Brasil, trouxe na bagagem uma câmera Leica e uma Linhof, além de livros sobre fotografia e exemplares da revista Life, uma de suas fontes de inspiração. Estabeleceu-se profissionalmente no país em 1945, como fotógrafo de indústria, arquitetura e publicidade, iniciando uma longa e expressiva carreira. Em 1947, fotografou para o catálogo da indústria Cristais Prado e, no ano seguinte, fez o primeiro calendário para a Pirelli.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.