2,8 milhões de crianças e jovens estão fora da escola no Brasil

 Confira as condições das escolas da rede pública estadual de Curitiba

Comecei esta quarta-feira, vespera do meu aniversario, com uma constatação triste: soube da situação das escolas do meu estado, o Parana. Fiz minha formação básica em escolas estaduais, onde também amigos da família trabalham com muita dedicação.

O resumo da situação é desanimador e demonstra que não é “crise”, é (como o caso da água de SP), um cenário construído há temos.

“A cinco dias da data prevista para o início do ano letivo na rede estadual, as escolas do Paraná ainda não sabem como farão para receber os alunos em sala de aula. A equação complicada é composta por três variáveis: o corte no número de funcionários; a falta de repasses do fundo rotativo (dinheiro destinado à manutenção das escolas e compra de materiais); e o déficit de professores. Enquanto o colapso se acirra, cresce na categoria os rumores de greve.”
(Informações da Gazeta do Povo)

educacao no brasil piora

Me pergunto se este caos podera piorar dados que vi no Todos Pela Educacão, dando conta de que neste comeco de ano de 2015,  2,8 milhões de crianças e jovens estão fora da escola no Brasil!

O Brasil tem 2.863.850 de crianças entre 4 e 17 anos fora da escola sendo que mais da metade delas (1,5 milhão) vem de famílias pobres. Ao todo, 93,6% da população brasileira nessa faixa etária está matriculada.

Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola é a Meta 1 do Todos Pela Educação.

Sou entusiasta do movimento e apoio incondicionalmente suas acoes em busca das 5 metas – isso  desde 2009.

Com base nos dados disponíveis em 2007, ano inicial do monitoramento das metas do TPE, o movimento calculou uma projeção para que a Meta 1 fosse alcançada em 2022, ano do bicentenário da Independência. Mas, a cada apuração, verifica-se que o percentual de matrículas fica abaixo da projeção, o que sugere que o Brasil poderá completar 200 anos sem cumprir o direito constitucional à Educação para todos. A meta intermediária para 2013 era de 95,4%, ou seja, 1,8 ponto percentual acima do observado.

Os dados utilizados no monitoramento são obtidos por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Os números da edição de 2014, coletados em 2013, reacendem o alerta. A luta pela universalização do acesso ganhou força de lei com a Emenda Constitucional Nº 59, de 2009.

O texto constitucional afirma que, até 2016, todas as crianças e jovens nessa faixa etária devem estar matriculados em unidades de ensino. Ou seja: 2015 é o último ano para que as redes tomem providências para incluir essa fatia da população no sistema educacional.

 

O acesso à matrícula, assim como no caso dos dados de avaliação e desempenho, apresenta grandes diferenças entre regiões brasileiras, entre diferentes patamares de nível socioeconômico e diferentes faixas etárias:

  • A maior concentração de matrículas se encontra na população entre 6 e 14 anos – idade correspondente ao Ensino Fundamental: 98,3% das crianças e jovens nessa faixa etária estão matriculadas, enquanto que aproximadamente 500 mil estão fora da escola.
  • Na idade que corresponde à Pré-escola, 4 e 5 anos, o atendimento é menor: 87,9%, o que significa que o Brasil ainda precisa incluir 680 mil crianças.
  • O maior déficit encontra-se entre os jovens de 15 a 17 anos: 83,3% deles estudavam em 2013. Ao todo, 1,6 milhão de jovens estão fora do sistema de ensino.
  • A maior taxa brasileira de atendimento na Pré-escola está na Região Nordeste, que apresenta 92,6% das crianças entre 4 e 5 anos matriculadas. Em contrapartida, a menor taxa está no Norte: 78,8%.
  • A Região Sul tem o menor atendimento do País entre jovens de 15 e 17 anos: 81,6%. Já o maior percentual é de 85,3%, na Região Sudeste.
  • As disparidades de renda também afetam os números de acesso à Educação. Entre os 25% mais ricos 95,8% das crianças de 4 e 5 anos estão na escola. A taxa cai para apenas 85% quando observados os 25% mais pobres. Entre os jovens de 15 a 17 anos, o abismo aumenta: 15,5 pontos percentuais entre os extremos.

Para saber mais sobre a iniciativa Crianças Fora da Escola, clique aqui.

Agora voltando ao meu estado e as escolas de Curitiba: vejam este video feito na frente do Colegio Estadual Tatuquara e a reação da população.

A escola tem tido apoio da população. Mutirões e apoio da comunidade ajudam a manter o local, mesmo sendo um prédio alugado e adaptado, com parte das carteiras de segunda mão, vindas de outra escola. Se as condições no Colégio Estadual Tatuquara estão longe de serem as ideais, a comunidade escolar e empresários da região se uniram para contornar as dificuldades. Tem dado certo. A unidade é apontada como um dos bons exemplos da rede estadual. O prédio foi pintado no ano passado, por meio de um mutirão. A direção pagou pela tinta e professores e alunos puseram mãos à obra: empunharam pincéis e cobriram o edifício de um tom azul escuro. Os uniformes que são entregues aos alunos foram comprados por um conjunto de empresas. A iniciativa privada também banca materiais escolares e pequenos reparos. Os empresários chegaram a pagar uma festa de fim de ano, em que todos os alunos ganharam presentes.

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Creio que assim conseguiremos mudar a educação do Brasil. Vem comigo, vamos visitar as escolas dos nossos bairros e mudar a realidade, independente de governos, partidos e de quem efetivamente estuda nestas escolas, se nossos filhos e netos ou os filhos e netos dos outros. São todos nossos, isso que importa!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.