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critica do filme 150 miligramas

Ao saber do filme 150 miligramas, eu logo quis ir ver e ao tempo lembrei de imediato de um colunista do blog. Felipe é formado em Farmácia e é daquelas pessoas raras, que se envolve com tudo que tem de bom e é “certinho” por natureza, sabem?

A personagem deste longa francês baseado numa história real me lembrou muito este tipo de pessoa que a gente espera que só aumente de número neste mundo tão necessitado do bem!

Vejam o que ele contou depois de ver o filme na cabine de imprensa:

Quando terminei de assistir o filme, saí com um pensamento meio controverso do cinema. Ao mesmo tempo que pensava: “como o ser humano é acomodado com algumas situações” e “como algumas pessoas, mesmo não estando nas condições mais favoráveis da situação, continuam lutando pelos seus ideais e objetivos!’

O filme, baseado em fatos reais, conta a história de Irène Frachon, pneumologista francesa da pequena cidade de Brest, França, e sua luta contra a grande farmacêutica francesa Servier no que ficou conhecido como caso Mediator.

Irène observou uma anomalia constante em seus pacientes que se tratavam com um medicamento anorexígeno Mediator, e após realizar pequenos estudos, se convenceu de que a utilização da droga era resultados dessas anomalias. A partir disso, começaram os esforços desta médica e seus amigos para combater a venda deste medicamento que estava no mercado a mais 30 anos.

O filme enfatiza bastante cada batalha travada por Irène (que não são poucas), tendo constantes sessões de tensão e relaxamento. Como a história desde a descoberta até o desfecho final é bastante extensa, o filme se torna um pouco longo, porém cheios de pontos de clímax que fazem você apertar os dedos de nervosismo e torcida!

Ao sair do cinema, depois de contemplar esta história exemplar de perseverança nas suas ideias e mover montanhas para conseguir expô-las, me deparei com os pensamentos que disse no começo do texto e me perguntei:

Qual tipo de pessoa eu gostaria de ser?

 

Gostou? Ficou curioso? Então saiba mais lendo a entrevista com a diretora Emmanuelle Bercot:

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O que a fez querer fazer esse filme?

Como todos, eu ouvi falar do caso do Mediator, mas não acompanhei de perto. Foram os produtores de Haut et Court, Caroline Benjo e Carole Scotta que mostraram interesse no livro de Irène Frachon e me pediram para ler.

Como era decisão de Frachon quem faria a adaptação para o cinema, almoçamos juntos em Paris, alguns meses após a publicação do livro, há alguns meses. Rapidamente me dei conta que essa jovial mulher podia ser uma personagem fictícia extraordinária. Quando ela falou sobre o caso, com paixão e emoção, o caso tomou uma dimensão bem maior. Não era mais o caso do Mediator, mas a história da luta excepcional desta mulher.

Como estava Irène Frachon neste primeiro encontro?

Bem natural, bem espontânea, sem politicagem nenhuma. Uma pessoa comum com uma história incomum. Alguém que não reage de maneira calculada. Ela tem uma energia incrível, uma espécie de trator com joie de vivre, alegria de viver. Irene sorri muito, mesmo quando fala de questões sérias. Ela é muito emocional, indo facilmente de risos para lágrimas. Sua linguagem tem muita ênfase, que dá a impressão de alguém que tem certeza do que faz, e que não se importa com padrões impostos pela sociedade.

Após esse encontro, que se deu não longe dos escritórios do Mistério da Saúde, disse aos produtores que eu estava dentro, desde que o filme fosse sobre essa mulher e sua história. E, no final, tivemos sorte que Irène Frachon nos escolheu.

Como trabalhou com Irène Frachon?

As coisas aconteceram em estágios diferentes. Quando assumi o projeto, eu tinha dois outros filmes para fazer: Ela Vai e De Cabeça Erguida. No começo, não queria escrever o roteiro. Não só não tinha o tempo, mas também senti que não conseguiria lidar com uma história tão complexa. Séverine Bosschem foi escolhida para escrever o roteiro. Rapidamente fomos para Brest juntas. Passamos muito tempo com Irène durante nossa estada, tanto em sua casa quanto no hospital. Conhecemos todas as pessoas envolvidas no caso. Por horas, gravamos Irène enquanto ela nos contava toda a história.

Basicamente pouco menos da metade do filme é construída em torno da adaptação do livro. A outra metade é feita do que percebemos in loco, dos segredos que as pessoas compartilham conosco.

Quando retornamos a Paris, encontramos com os protagonistas parisienses, o epidemiologista Gustave Roussy em particular, o infiltrado no CNAM (Seguro de Saúde Nacional da França), Anne Jouan, Gérard Bapt…

Por mais de um ano, Séverinne trabalhou de maneira independente. Ela compilou os milhares de documentos que Irène deu para ela, e aprendeu todo o aspecto técnico da história. Então, agora juntas, definimos o esboço da narrativa. No total, levou cerca de três anos para escrever o filme. Tive participação em todos os estágios, para redefinir a construção, delimitar o storyline e desenvolver os personagens principais. Tudo isso enquanto trabalhava em meus outros filmes.

Finalmente, alguns meses antes de começarem as filmagens, eu reescrevi o roteiro para dar a minha cara. Durante esse tempo, Irène foi sempre atenciosa e disponível para nos aconselhar e nos ajudar a corrigir alguma coisa errada. Antoine, o pesquisador que foi de grande ajuda para Irène durante o caso e Anne Jouan, a jornalista do Le Figaro, também ajudaram muito. Ela foi muito atenciosa para o aspecto factual dos acontecimentos.

Aí teve a difícil decisão de quem iria interpretar Irène Frachon

Eu me perguntei isso antes mesmo de escrever o roteiro. E não consegui chegar a uma resposta. Não conseguia pensar em nenhuma atriz francesa para interpretar essa personagem. Imagine meu problema: por quase três anos, enquanto escrevia o roteiro, não sabia quem iria interpretar Irène. Foi Catherine Deneuve quem encontrou a solução. Tínhamos acabado de filmar De Cabeça Erguida e estávamos em um jantar juntas – ela me falou sobre uma atriz que atuou em Borgen. “Você devia assistir à série, essa atriz seria ótima para o papel e eu acho que ela fala francês”, ela me disse. No dia seguinte eu comecei a assistir Borgen. Também encontrei uma entrevista para a TV com Sidse Babett Knudsen na qual ela fala francês muito bem, quase sem sotaque.

Após isso, tudo ocorreu muito rápido. Caroline Benjo e eu fomos a Copenhagen. A reunião foi muito bem. Sidse leu o roteiro, que ainda estava sendo escrito. Ela aceitou o papel rapidamente. Para ser honesta, se Catherine Deneuve não tivesse sugerido Sidse para o papel, não consigo pensar em ninguém que pudesse pensar nela!

Então tivemos que avisar Irène Frachon, que estava muito curiosa desde o início sobre quem iria interpreta-la. Almoçamos juntas, e estávamos, francamente, muito preocupadas. Ela não acharia estranho termos escolhido uma atriz dinamarquesa da qual ela nunca tinha ouvido falar? O exato oposto aconteceu. Mal citamos o nome de Sidse quando ela gritou. Ela estava… extasiada! Obviamente não sabíamos disso, mas os membros da família Frachon são grandes fãs de Borgen. Para Irène, ter Sidse interpretando ela nas telas era um sonho.

Então em termos de elenco você não tentou ser realista. Você podia ter escolhido uma atriz britânica…

Bem, Irène não é da Grã-Bretanha, para começar (risos). Sabia desde o começo que não seria um problema. A luta dessa mulher é universal. Não importa de onde ela veio, tem a mesma força. Acho que talvez ela ficasse incomodada, porque ela é francesa, e essa é uma história francesa. Mas, como ela é muito inteligente e mente aberta, não a incomodou.

Irène sempre foi aberta sobre sua fé Protestante. É até mesmo uma faceta importante da construção de sua personalidade. Mas isso não é um aspecto que aparece no filme. Pode nos dizer porquê?

Você tem razão, a fé de Irène Frachon é um fator extremamente importante. Ela aguentou tudo parcialmente graças a sua fé, parcialmente graças a sua família e as incríveis pessoas a sua volta. Mas a fé de Irène é totalmente omitida do filme e a família só aparece de relance. Porque só faria sentido se fosse central e não tem muito o que podemos contar em duas horas. E também queria fazer essa história o mais universal possível, e ao mesmo tempo evitar individualizar tanto Irène. Devo lembrar que ela nunca demonstrou o desejo de sua fé ser mencionada no filme. Mas ela emprestou seu crucifixo para Sidse para que ela usasse no set. Então esse aspecto da personagem não foi totalmente omitido.

Você se lembra do momento em que Irène Frachon conheceu Sidse Babett?

Claro, embora não estava lá no primeiro momento. Eu planejei chegar 15 minutos atrasada. Foi em um restaurante perto do escritório de produção em Paris. Quando cheguei vi que elas já tinham uma ótima conexão. Elas são ambas pessoas amáveis, com uma energia incrível. Suas energias se conectaram imediatamente. Sidse não conhecia Irène Frachon, claro, ou conhecia o caso Mediator. Ela estava descobrindo e absorvendo a personagem que ela iria interpretar.

Você vê uma semelhança física entre elas?

Não (risos). Logo desisti da ideia de encontrar uma atriz que parecesse Irène, mesmo porque não existe uma. A semelhança é da energia que ambas conseguem exprimir, e sua natureza brincalhona.

Você já teve que lidar com o mundo médico em sua vida pessoal?

Sim, muito. Acho que é uma das razoes pelas quais Irène queria que eu compartilhasse essa história. Meu pai era cirurgião cardíaco no hospital Laribosière em Paris. Por um longo tempo eu queria ser cirurgiã. Meu hobby favorito quando eu não tinha aulas era ir assistir meu pai operar. Entre meus dez e doze anos, passei muito tempo em plateias de salas de cirurgia. Quando eu tinha cerca de quinze anos, fiz um estágio de observação em várias unidades cirúrgicas do Laribosière. Sempre fui fascinada por hospitais. Gosto de ir à hospitais. Me sinto bem lá. Acho que Irène gostou disso.

Então antes de ir para La Fémis (prestigiosa escola de cinema francesa), você queria estudar medicina?

Sim, até eu ter cerca de quinze anos. As vezes meu pai me avisava, dizendo que era uma linha de trabalho muito dura para mulheres. Para homens também, eu quase não o via. Lembro que ele era muito contra os laboratórios farmacêuticos, seu lobby e seu poder. É algo que conversávamos muito em casa.

No filme temos duas cenas incríveis do ponto de vista médico – uma cirurgia de coração a céu aberto e uma autópsia. Vamos falar da cirurgia – era território familiar?

Para essa cena na sala de cirurgia eu realmente estava pisando em território familiar. Mas isso não me impediu de assistir uma cirurgia novamente para refrescar a memória antes das filmagens. Quando estávamos filmando, todas as sensações voltaram… era muito excitante filmar uma cirurgia a céu aberto, com a equipe da CHU em Brest – um cirurgião real, anestesistas reais, uma enfermeira de verdade…

Só a operação foi falsa, mas parece autêntica! Por razões sanitárias, eu não podia arriscar filmar uma operação real. Poderia usar as instalações de câmera que geralmente são encontradas em salas de cirurgia com plateia, mas eu teria só a parte do vídeo. Como era vital que eu pudesse escolher os ângulos, rapidamente optei pela clássica técnica de três câmeras – não podíamos repetir as ações várias vezes. Para o interior do corpo, usamos efeitos especiais.

Sua decisão foi mostrar e quase tocar nos órgãos – o coração em particular – com a câmera

Era vital ver os danos orgânicos e físicos causados pelo Mediator. Para permitir a audiência ver e sentir os efeitos que essa medicação tinha na carne de algumas pessoas. De todo modo, sempre me esforço para fazer meus filmes o mais próximo da realidade possível.

E sobre a cena da autópsia, você também usou efeitos especiais nela…

Certo! Nós definitivamente não matamos a atriz! Não sei se é permitido, mas seria realmente difícil para mim filmar uma autópsia real, o corpo de alguém sem sua aprovação. Nunca vi alguma em filme antes. Então procurei assistir uma. É.… como posso explicar… uma experiência metafísica. Na minha vida agora sempre vai ter o “antes” e o “depois” dessa autópsia. E algo confuso e insuportável.

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Felipe Lemus

Farmacêutico, músico amador e ex-nadador, Felipe possui gostos bem variados! Atuando como professor de violino, ele gosta de observar as coisas boas e simples da vida, apreciando e promovendo obras obras do bem para fazer o bem, seja no meio cultural, científico ou social! Basicamente, uma pessoa 'deboas'!

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