#100coisas Era uma vez… como a história dos avós virou um conto de fadas!

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Uma das primeiras coisas que se nota em mim, desde criancinha, é que gosto muito de conversar e sempre tenho assunto com todo mundo. O que pouca gente sabe é que tenho uma dificuldade enorme de sair da realidade, de contar histórias fantasiosas ou inventadas. Por conta desta característica, o grande contador de histórias da família é meu marido, Gui.

Eis que o desafio das 100 coisas para fazer com seus filhos antes que eles cresçam foi um dos mais exigentes para mim! Primeiro por ter que contar uma história feito Conto de Fadas. Em segundo porque tinha até ser a história dos avós e a dos meus pais, embora cheia de aventuras e superação, não é exatamente uma história com final feliz como se espera. Estávamos hospedados na casa dos meus sogros quando tivemos a ideia do texto abaixo, que escrevi com apoio do Gui e está sendo transformada em livro com as ilustrações do Enzo – uma delas está abaixo para vocês terem uma ideia do jeito do nosso personagem, o menino que um dia o vovô Manuel foi!

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Era uma vez um menino muito ligado à família. Cordato, afetuoso e obediente, ele atendia prontamente ao que os pais pediam, sendo respeitoso com seus irmãos mais velhos, Norminha e Celso, tanto quanto cuidadoso com os menores, Quim e Neusinha. Era fácil ser bonzinho. Sua mãe era um doce de pessoa, generosa com todos, de coração aberto e muito temente a Deus. Seu pai, o homem mais forte da região (que, contam, empurrava uma carroça com força de muitos cavalos) e era um grande conselheiro na cidade onde morava, respeitado por todos por sua inteligência e bom senso.

Um dia, porém, tudo mudou: subitamente seu pai faleceu e o menino se viu às voltas com muitas conversas confusas dos tios e avós sobre o futuro de sua pobre mãezinha que ficou com 5 filhos para criar. Desejando educar muito bem os meninos, ela seguiu conselhos e enviou os dois mais novos para estudar no seminário, realizando o sonho de sua mãe, de ter um filho religioso. As crianças de hoje não fazem ideia do que é isso, mas antigamente meninos e meninas eram enviados para estudar para serem religiosos, morando na escola e raramente voltando ao lar onde nasceram. Foi assim que Manézinho saiu de casa aos 9 anos, deixando para trás tudo que conhecia e amava.

Logo ele ficou totalmente só porque o irmão, Quinzinho, não suportou a distância da mamãe e desistiu do seminário. Menino sério e comprometido, Manézinho se manteve firme e forte: concluiu os estudos com louvor, trabalhou com afinco em tudo que pode, fez novos amigos que se tornaram irmãos do peito e em pouco tempo era um homem feito, pronto para concluir os votos e se tornar padre.

Do interior mudou-se para a capital de seu estado para começar o trabalho e se preparar para assumir sua vocação, que deixaria sua vida para o trabalho de Deus, mesmo que para isso não pudesse nunca casar e ter filhos. E neste trabalho, orientando professoras que davam aulas de catequese para crianças, ele conheceu uma moça que mudou tudo.

Soninha era uma moça lindíssima, não só por sua aparência que, desde a mais tenra infância, fazia sua mãe se atrasar pelo caminho cada vez que saía de casa. Eu explico: a menina era tão linda que Dona Carminha demorava o dobro do tempo para responder a todas as pessoas na rua sobre sua filha mais velha, seus cabelos lindos e negros, sua pele morena clara, seus olhos vivos e curiosos. Os pais, filhos de imigrantes europeus, tinham imenso orgulho da filhinha e sempre a encheram de mimos, oferecendo-lhe as melhores escolas possíveis, aulas de francês e de piano, roupas de mocinha rica e uma infinidade de coisas que eles mesmos nunca sonharam em ter.

Mas a menina tinha uma luz diferente: ela queria lutar por um mundo mais igual para todos. Não entendia como podiam os interesses econômicos e sociais serem maiores do que as necessidades das pessoas, como podiam os governantes não atender ao povo que os elegeu, como o mundo podia ser tão cruel com quem mais precisava de apoio para crescer. Assim, ao se formar como professora, ela decidiu uma coisa que não contou nem para os pais: ia trabalhar para que as pessoas pobres também pudessem ter uma boa educação.

Imaginem quando Manézinho e Soninha se encontraram! Foi um verdadeiro encontro de almas gêmeas! Mas, vejam só, ele era quase um padre e ela era a filhinha do papai. Como eles poderiam sentir amor um pelo outro e desejar estar junto o tempo todo, contrariando os sonhos de seus pais?

Eles pensaram, sonharam, depois falaram um com o outro e acabaram percebendo que não tinha jeito: só podia ser a vontade de Deus que eles ficassem juntos! Criaram coragem e foram conversar com seus pais. Pensam que foi fácil? Não foi! Seu Nenê, pai de Soninha, se sentiu enganado pelo amigo que ia lá visitar a casa e no fundo queria namorar sua filha! Dona Lelê, mãe de Manézinho, recebeu, lá no interior, a história com muita tristeza. Só dona Carminha dizia que “já sabia que tinha alguma coisa ali”…

E foi ela quem ajudou a resolver as coisas e a planejar a festa de casamento, que foi, de acordo com as ideias dos noivos, simples e sincera. Já se passaram 40 anos, 4 filhos, 5 netos e a gente pode quase dizer, sem medo de errar, que eles serão felizes para sempre.

Esta é uma das nossas histórias… confesso que nos animamos e parece que reviver estas aventuras, registrando-as em livrinhos, pode virar uma nova mania pra família! Conte também a sua! Qual é a história do encontro dos avós e do começo da sua família? E a sua história de amor? Compartilhe, creio que muitos vão se emocionar ao conhecê-la.

Royal e AVidaQuer 100 coisas para fazer com seus filhos antes que eles cresçam

Post da série na qual, por 20 semanas, brincaremos fazendo atividades propostas com o mote “100 coisas para fazer com seu filho antes que ele cresça“.
Acompanhe a série no @avidaquer @blogcoisademae @dica_de_mae @pontecialtweet @RoLippi e @cozinhapequena e na fanpage da Gelatina Royal que nos convidou para brincar!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.